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O cérebro e as experiências na primeira infância

Nadia A. Bossa

As neurociências mostram que a configuração cerebral pode ser modificada e potencializada em função das experiências proporcionadas pelo meio. Pensar a educação a partir desse conhecimento é o grande desafio.

Partindo das contribuições mais recentes das neurociências, vou discorrer neste artigo a respeito da importância das experiências vividas pela criança na primeira infância e como influenciam a arquitetura cerebral. Mais do que sugerir novas formas de ensinar, meu principal objetivo é auxiliar aquele que educa a dar sentido ao seu fazer. Digo sempre que a maior contribuição das neurociências para a pedagogia e a psicologia não reside prioritariamente em trazer novas metodologias, mas, sim, em tornar objetivo aquilo que até então estava no campo do subjetivo.

Podemos, hoje, através dos exames de neuroimagem, constatar o efeito cerebral da atividade humana. Podemos nos valer das pesquisas na área para saber como, quando e o quanto vale a pena brincar de cantar, pular amarelinha, soletrar palavras, lembrar nomes de animais que comecem com F e tantas outras atividades aparentemente simples, mas que, quando realizadas da forma correta, no momento exato, têm o poder de tornar o cérebro o mais potente que ele pode ser.

Matéria completa:
Revista Pátio - Editora Grupo A
Abril/Junho 2017
Número 51

Psicopedagogo: ser ou não ser eis a questão

A questão da complexidade do papel do psicopedagogo na sua atuação preventiva, tanto quanto na sua atuação clínica, e a importância das condições pessoal e de formação desse papel, é sempre uma grande preocupação do profissional consciente da sua responsabilidade na vida das outras pessoas. Utilizar a afetividade como elemento facilitador, e não como um obstáculo é uma tarefa extremamente árdua. E estou me referindo a afetividade no sentido essencialmente psicanalítico. Ressalto que uma prática consistente e coerente com a abordagem psicopedagógica demanda não apenas um bom manejo de técnicas de intervenção, mas fundamentalmente um bom manejo dos afetos. O tratamento ou a intervenção psicopedagógica põe em xeque, o reconhecimento pelo profissional, do seu campo de atuação e suscita questões da técnica e da ética. A especificidade da intervenção psicopedagógica em relação a outras formas de tratamento, mais especificamente outras terapias, nos coloca diante de problemas como por exemplo o tempo para obtenção de resultados, a pressão da escola e da família e muitos outros, que na verdade são a razão do nascimento da Psicopedagogia. A título de ilustração podemos citar a técnica da utilização utilização do jogo como técnica de intervenção. Utilizada em diferentes contextos terapêuticos (fonoaudiologia, ludoterapia, psicoterapia de abordagem cognitivista e outras), no tratamento psicopedagógico não pode perder de vista a dimensão da aprendizagem acadêmica. Tanto o psicólogo, como o psicopedagogo, menos preparado, talvez não percebam estas diferenças tão sutis. Isso ocorre porque muitas vezes um ou outro não tem claro qual o seu lugar na intervenção. Portanto a grande diferença não reside efetivamente nos instrumentos, mas sim no conhecimento do profissional, o qual deve saber exatamente "onde" e "como" operar. Na psicopedagogia não estamos tratando o sujeito epistêmico de Piaget, o sujeito do inconsciente de Freud, o sujeito cindido de Lacan, estamos sim tratando de resgatar um sujeito total: não a soma, mas sim a integração desses sujeitos ou fragmentos, em um novo desenho mais coerente com o pensamento científico atual.

Saber o que isso significa, eis aí a questão do Ser Psicopedagogo.

Dra. Nadia Bossa, 2017

Escola ideal e ideal da escola: análise histórico-filosófica da instituição escolar

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O TRATAMENTO PSICOPEDAGÓGICO

A especificidade do tratamento psicopedagógico consiste no fato de que existe um objetivo a ser alcançado: a eliminação do sintoma - os obstáculos na aprendizagem, diferentemente do que ocorre no tratamento psicoanalítico. Assim, a relação do psicopedagogo-paciente é mediada por atividades bem-definidas, cujo objetivo é solucionar rapidamente as consequências do sintoma, para logo depois mobilizar e desenvolver os recursos cognitivos. Esta é a maior complexidade na atuação do psicopedagogo, pois está relacionado com a operacionalização do trabalho e consequentemente com o êxito. Tal afirmação decorre da minha atuação como Supervisora. Frequentemente me deparado com situações em que, não podendo suportar as pressões (internas ou externas), o psicopedagogo opta por uma abordagem mais emergente, introduzindo o conteúdo escolar atual como tarefa nas seções, ou seja, buscando eliminar de pronto o sintoma. A pressão é interna e externa, porque muitas vezes o profissional, devido à sua ansiedade, tenta apressar o processo, pois, assim como a criança, a sua autoestima depende de avaliação externa, de modo que chega a experimentar a mesma frustração que a criança vive na Escola.

Ser psicopedagogo é viver grandes desafios todos os dias!

Maria Dolores Fortes Alves, Nádia Bossa

Resumo

A Psicopedagogia, campo no qual floresceu o conceito de sujeito autor, é uma área de estudo interdisciplinar; que olha para o sujeito como um todo no contexto no qual está inserido; que estuda os caminhos do sujeito que aprende e apreende, adquire, elabora, saboreia e transforma em saber o conhecimento. É uma área de estudos de aplicação específica, uma vez que investiga conhecimentos em outros campos, mas cria seu próprio objeto de estudo e delimita seu campo de atuação.